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  Geografia Geral e do Brasil

A PREDATÓRIA RACIONALIDADE ECONÔMICA

Você sabia que, do ponto de vista econômico, a destruição a cada ano de mais de 20 mil Km² de nossas matas é racional? Desmatar a área, plantar pasto e criar gado na Amazônia pode dar um lucro que chega ao dobro do ganho por hectare em tradicionais áreas pecuárias de São Paulo. A informação é apontada pelo economista Sergio Margulis, do Banco Mundial, no estudo Causas do desmatamento na Amazônia brasileira. Flávia Oliveira, na coluna Panorama Econômico – jornal O Globo, 13 de fevereiro –, sob o título Verde de vergonha, apresenta os principais dados e conclusões da pesquisa.

Estudos assim, levantando dados e mostrando como funciona a lógica econômica da busca do lucro a qualquer custo, são importantes. O diabo é que podemos facilmente chegar a conclusões aterradoras, sem conseguir sair de sua própria lógica. É muito fácil, por exemplo, mostrar que o garimpo predatório, jogando mercúrio nos nossos rios, também é racional, pois o lucro é fantástico. Na mesma linha de análise, é possível demonstrar quão racional é o trabalho escravo para os donos de terra – e de gente.

Aliás, foi muito racional a destruição da Mata Atlântica para produzir café e está sendo racional a destruição do cerrado para produzir soja. Podemos desenhar o mapa do Brasil mostrando onde a racionalidade econômica funcionaria, tirando conclusões sobre a "irracionalidade" dos territórios indígenas e das reservas extrativistas; da pesca ribeirinha na Amazônia, quando comparada com os grandes barcos industriais; e da agricultura familiar, que teima em produzir segundo as necessidades de alimento e renda familiar. Mais ainda, podemos fazer como Bush, que se recusa a assinar o Protocolo de Kyoto – sobre o controle das emissões de gases destruidores da camada de ozônio – porque afeta a racionalidade dos negócios... Aonde isso nos levará? À destruição completa de nosso patrimônio natural, à concentração de riquezas e a maior exclusão social.

Qualquer pessoa que estuda o meio ambiente ou defende os direitos humanos sabe muito bem que o cerne da questão é a lógica que move a economia, do lucro como primeiro e fundamental parâmetro. Princípios e valores éticos, que colocam a sustentabilidade e o desenvolvimento humano democrático como referências, não entram no cálculo privado de um empreendimento que visa ao lucro. No máximo, são custos a serem considerados que limitam lucros, se imposições legais existirem e tribunais funcionarem. Estamos diante de flagrante divórcio entre economia e sociedade, com dominância absoluta da economia. Estamos diante da racionalidade que nos conduz ao desastre.

Esta é a economia que temos. Pior, é o modelo econômico hoje vigente no mundo sob a batuta da globalização neoliberal. Talvez, se não olharmos para a tal racionalidade econômica capitalista e voltarmos os olhos para o poder político que a sustenta, poderemos ver o que é possível fazer aqui e agora. Nós, aqui no Brasil, temos um prato cheio de desafios e possibilidades que dependem, acima de tudo, da luta política. Poderíamos tomar a questão da lei de biossegurança, aquela que trata dos transgênicos, ainda em discussão no Congresso Nacional. Quem põe no centro o princípio da precaução é taxado de irracional, retrógrado, contra o progresso da ciência etc. Quem postula a liberalização dos transgênicos o faz em nome da racionalidade econômica. Afinal, o Brasil tem tudo para ser o país hegemônico no agronegócio exportador, desde que nada impeça a racionalidade destruidora. Temos outro problema, difícil de resolver com esse estreito modo de pensar. Racional não é plantar e exportar, investir. É apostar nos juros altos da nossa política macroeconômica. Manter tal política talvez ajude a não destruir a Amazônia. Absurdo, não?

Trata-se de poder e também de política. A racionalidade econômica será outra se a participação política dos hoje "irracionais" for capaz de mudá-la. Aliás, essa foi a motivação que elegeu Lula presidente. Não se trata de inventar a roda ou de desmontar tudo para fazer de novo. O modo democrático de construir economias com justiça social e sustentabilidade é pela publicização e politização – no mais humano dos sentidos – de todas as relações econômicas. É fazer o interesse público prevalecer sobre o privado, num processo em que o ganho econômico respeite princípios e valores de cidadania e de preservação dos bens comuns, a começar pelo nosso fantástico patrimônio natural ameaçado. É o caminho para transformar a esperança que elegeu Lula em políticas que apontem para outra direção, para outro modelo de desenvolvimento, racional porque humano, e não simplesmente por ser lucrativo.


Cândido Grzybowski
Sociólogo, diretor do Ibase
0 8/04/2004

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ATUALIZADO EM 28//06/2016