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  Geografia Geral e do Brasil

OS “IMPÉRIOS” TAMBÉM MORREM

Há 35 anos, 200 mil soldados das tropas do Pacto de Varsóvia (na imensa maioria, soldados soviéticos) invadiram a Tchecoslováquia.

Poucos anos antes, Stálin tinha morrido e seus métodos haviam sido condenados pela direção do Partido Comunista da União Soviética. O modelo que havia sido adotado pelos sucessores de Lênin admitia publicamente algumas das suas deficiências.

Nos países da Europa Oriental em que o modelo havia sido imposto no final da guerra pelo Exército Vermelho, logo apareceram sinais de uma nova esperança: a de que estivessem soprando os ventos de uma auto-reforma do regime.

A crise se tornou especialmente aguda na Tchecoslováquia, onde os dirigentes stalinistas foram destituídos e novos dirigentes assumiram o comando.

Alexander Dubcek, o novo secretário-geral do PC tcheco, examinando os dossiês dos órgãos da repressão, ficou horrorizado com as mentiras forjadas contra militantes inquietos que haviam tentado resistir à expansão do arbítrio. Mandou que eles fossem reabilitados, que os processos fossem anulados.

Começou, então, um movimento que foi chamado de ''Primavera de Praga''. Como esse movimento era dirigido por comunistas, a expectativa era a de que a União Soviética o toleraria e admitiria mudanças democratizadoras naquele seu ''satélite''. Não foi, porém, o que aconteceu.

Em 21 de agosto de 1968, veio a invasão. Dubcek foi destituído do seu cargo de secretário-geral do partido, preso e depois foi coercitivamente posto a trabalhar como guarda florestal. O brilhante filósofo marxista Karel Kosik, que criticou a invasão, foi coercitivamente posto a trabalhar como frentista num posto de gasolina. As tropas cumpriam ordens truculentas, aplicando uma lógica estritamente militar a complexos problemas políticos.

Lembro-me de que naqueles dias havia uma delegação brasileira que estava em Sófia, na Bulgária, num Festival da Juventude. Éramos cerca de 80 pessoas e acompanhávamos, apreensivos, as manifestações de hosttilidade do governo búlgaro aos comunistas ''democráticos'' da Tchecoslováquia. Entre os 80, recordo os nomes de Sérgio Ricardo, Aldomar Conrado, Luiz Gazzaneo, Alcedo Coutinho, Luiza Almeida Braga (minha irmã), Heitor Simões de Oliveira, Reginaldo di Piero, Geraldo Vandré, Amélia e Carlos Nelson Coutinho, Jussara, Tereza, Rosa, Ciro e muita gente que não vejo há muitos anos.

Conversávamos com os integrantes de outras delegações, torcendo para que não acontecesse o que, afinal, acabou acontecendo.

Brejnev e seus comparsas recorreram à violência sob a alegação de que a Tchecoslováquia era um terreno fundamental para a segurança da União Soviética. No Brasil, o sempre talentoso João Saldanha traduziu a tese com uma imagem futebolística: os soviéticos achavam que a Tchecoslováquia era a ''zona do agrião'', onde a grama não crescia, porque os jogadores pisavam com força e não podia haver ''bola dividida''.

A invasão foi militarmente bem-sucedida. A ''Primavera de Praga'' foi sufocada, acabou. As exigências da segurança brejneviana foram atendidas.

Agora, passados 35 anos, este escriba, nestas mal digitadas linhas, relembra o fim do movimento liderado por Dubcek e observa que o ''império soviético'' também acabou. Vinte e um anos depois da ''Primavera de Praga'', a superpotência socialista se autodissolveu.

Pensei nisso quando vi na televisão o companheiro Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que George W.Bush é bem mais simpático pessoalmente do que na TV. Pode ser. Seria ótimo, contudo, se Lula, no contato pessoal com Bush, lhe pudesse dizer que ele está cometendo no Iraque o mesmo erro que Brejnev cometeu na Tchecoslováquia (e repetiu no Afeganistão). Seria ótimo se Lula acrescentasse que a preservação da segurança - o mesmo argumento de Bush e Brejnev - não convence ninguém.

E, contando com a simpatia que lhe manifesta seu interlocutor, seria o máximo se Lula pudesse advertir Bush para o fato de que, tal como aconteceu com o ''império soviético'', o ''império estadunidense'' pode acabar.

Leandro Konder
30/08/2003
Jornal do Brasil

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ATUALIZADO EM 28//06/2016